QUEM SOMOS

Estratégia Futura

A COCAMO deverá fazer cinco mudanças de estratégia de forma a contribuir significativamente para a realização da nossa visão em 2010.

Foco nos fornecedores de serviços
No passado, apoiamos o crescimento e o desenvolvimento de três tipos de ONGs locais. Ajudamos as organizações sem fins lucrativos e de auto-ajuda como as associações de pais e mestre. Apoiamos as organizações lucrativas como as cooperativas de micro empresas. E contribuímos com os fornecedores locais de serviços. Esses fornecedores são organizações que fornecem um serviço definido a um cliente específico. Por exemplo, eles podem fornecer educação de saúde pública. Eles diferem dos outros tipos de organização uma vez que sua diretoria e funcionários não se beneficiam do serviço fornecido.

Escolhemos o foco nos fornecedores de serviços após uma avaliação. Nossa pesquisa indicou que já existem muitas organizações de auto-ajuda trabalhando no norte de Moçambique. Muitas estão contribuindo com o governo central no processo de descentralização e estão recebendo a responsabilidade de outros níveis do governo. Como um resultado, os fornecedores locais de serviço do norte de Moçambique ficaram sem receber apoio.

A tendência é irônica. Na nossa experiência, o pessoal dos fornecedores locais de serviços aprendem e transmitem as habilidades mais eficazmente do que os grupos de auto-ajuda ou com funcionários do governo. Os fornecedores locais de serviços são uma importante parte de uma sociedade civil ativa. Eles têm um potencial grande para o efeito e impacto multiplicador nesse momento crítico.

Mais importante ainda foi a descoberta de que não é mais apropriado para ONGs internacionais trabalharem diretamente no campo com os beneficiários e realizar as funções de uma sociedade civil local. Nosso papel como uma ONG internacional é contribuir com o desenvolvimento da sociedade civil local. As ONGs locais são atualmente as ligações fracas na sociedade civil no norte de Moçambique. Elas precisam ser fortalecidas para promover a sociedade civil e suas importantes funções.

Acompanhando e apoiando nossos parceiros
Nossa estratégia no passado focava na atração de ONGs locais para trabalhar com a comunidade e atender suas necessidades básicas nos distritos que havíamos priorizado. A estratégica agora muda para identificar fornecedores locais de serviços que estão intrinsecamente envolvidos com a realização da sua missão dentro da sua área de competência. Acompanharemos e apoiaremos nossos parceiros no que eles precisarem. Desde que permaneçam eficientes e responsáveis aos desfavorecidos que eles trabalham, continuaremos a acompanhar e apoiar seus esforços indiferentemente do setor que eles escolherem para atuar. Em termos práticos, isto significa que nossa área geográfica de operação irá aumentar nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa. A expansão acontecerá durante os próximos nove anos de uma forma gradual e orgânica, começando com a nossa base em Nampula.

Facilitando o aprendizado no desenvolvimento organizacional
Na nossa experiência, a área mais importante que deve fortalecer os fornecedores locais de serviços é o desenvolvimento organizacional. As ONGs locais do norte de Moçambique têm pouca identidade. Poucas sabem quem são e o que querem fazer. Existe uma história de entregar a agenda internacional de organizações e governos locais.

Queremos alimentar a autonomia dos fornecedores locais de serviço que sabem quem são, o que querem fazer e onde querem fazer. Queremos apoiá-los para se tornarem eficazes e responsáveis pelos desfavorecidos que eles ajudam.

Faremos uma parceria com uma organização especializada no desenvolvimento organizacional que possui um programa de aprendizagem que possa ser adequado ao quadro de diretoria dos nossos parceiros, funcionários e colaboradores-chave. O programa envolverá trabalho prático na organização dos participantes e compartilhará um aprendizado com experiência em workshops. As organizações que aprendem de suas experiências e que se adaptam prosperam em um meio que se modifica rapidamente.

Internacionalização da COCAMO
A diversidade dos membros da COCAMO e a paixão dos representantes pela organização e pelo povo de Moçambique nos fez ser uma das mais antigas coalizões para mudanças no Canadá. Uma coalizão nacional fez sentido em 1988 e a estratégia foi bem adequada para seu propósito nesses anos todos.

Hoje, novas oportunidades e dificuldades estão na frente da COCAMO. O lado positivo da globalização forneceu os meios para as organizações de sociedade civil se conectarem com organismos similares ao redor do mundo. O lado negativo estimulou a necessidade das sociedades civis em construir coalizões de cidadãs mais globais. O papel da sociedade civil é dar à globalização um aspecto mais humano.

Nossos membros estão inclinados a se unir com outras organizações de desenvolvimento, igrejas, associações e outras formas de sociedade civil fora do Canadá. Queremos expandir nossos membros com outros que compartilham nossos valores e visão de forma a investir no crescimento e desenvolvimento da sociedade civil no norte de Moçambique. Queremos ir além das fronteiras do Canadá e desenvolver uma rede global dedicada ao envolvimento do público com as questões de desenvolvimento e justiça social de Moçambique e da África. Novos membros aumentarão nosso poder de lobby e de trabalhar em rede. A COCAMO se tornará COMO (Cooperação Moçambique).

Buscando novas formas de parceria
A sociedade civil em Moçambique está emergindo após um longo período de colonialismo e guerra civil. Nos países ocidentais, sob uma maior circunstância conducente, a sociedade civil levou várias décadas para se desenvolver. O crescimento e o desenvolvimento da sociedade civil no norte de Moçambique é neste sentido um objetivo a longo prazo que requer um fluxo de recursos de financiamento previsíveis. Isto significa deixar de lado os obstáculos e começar a realizar projetos de desenvolvimento que requerem planejamento superior a três anos de financiamento.

As ONGs locais em Moçambique vivem atualmente uma existência imprevisível. Os doadores detêm os recursos e liberam pequenas parcelas. A sobrevivência das ONGs locais depende mais da realização das atividades de um doador internacional ou de um governo local. Em suma, as ONGs locais são o coral daqueles que controlam os recursos, ou seja, não são atores independentes por si próprios. Como resultado disto, não estão em uma posição para planejar estrategicamente como alcançar seus objetivos a longo prazo.

Se o objetivo de crescer e desenvolver a sociedade civil no norte de Moçambique a longo prazo é para ser alcançado, doadores e organizações financiadoras devem aprender a enxergar todos da mesma forma. Desenvolvimento é educação, aprendizagem para favorecimento próprio. Os “menos iguais” precisam expandir-se e favorecer a si próprio. Os “mais iguais” precisam aprender a favorecer os outros, pois nossa capacidade de parceria cresce quando a exercemos eficazmente e responsavelmente. A COCAMO está ansiosa para fazer com que este paradigma mude. Sabemos onde queremos chegar e estamos buscando caminhos para chegar lá.

Em 2010, a COCAMO será uma parceria única e igual entre aqueles dentro e de fora de Moçambique. Aqueles de dentro serão os implementadores e aqueles de fora serão os principais financiadores e responsáveis pelo lobby no governo. Todos trabalharão ativamente em favor de uma visão compartilhada.

Metade da diretoria será composta de moçambicanos da sociedade civil do norte de Moçambique. A outra metade será composta por indivíduos de organizações internacionais que residem e trabalham no norte de Moçambique. A Diretoria supervisionará o desenvolvimento e terá um pequeno escritório para administrar suas tarefas diárias. Uma fundação doadora que investe na sociedade civil no norte de Moçambique estará funcionando uniformemente. Tanto a Diretoria como a fundação doadora compartilharão valores similares, trabalharão em prol de uma visão comum e seguirão uma estratégia e política mutuamente acordada para guiar a alocação dos recursos. A fundação doadora e a Diretoria operarão como duas metades de um coração. Ambas essenciais, trabalhando ativamente para energizar um inteiro maior.